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Valor Economico – 15/08/2008

Leasing para equipamentos e máquinas atinge R$ 10 bilhões

As operações de leasing para máquinas e equipamentos atingiram R$ 10 bilhões em maio (valor total dos ativos imobilizados com arrendamento), segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel). Somente nos cinco primeiros meses, o crescimento em relação ao fim do ano passado chegou a 12,1%.

O avanço não é tão vigoroso quanto nas operações de veículos (que aumentaram 29% entre dezembro e maio), mas começa a ganhar força, afirma Osmar Roncolato, vice-presidente da Abel. "As empresas vêem o leasing como um instrumento de grande importância para a modernização do parque industrial e a ampliação da capacidade produtiva."

Roncolato, que também é superintendente-executivo do Bradesco, afirma que o segmento da economia que mais demanda a operação é a indústria, especialmente os setores calçadista, gráfico e de produtos alimentícios. Segundo ele, a construção civil também ajuda, com o financiamento de gruas e guindastes.

Um dos gatilhos dessa aceleração foi o aumento no início do ano da alíquota de Imposto sobre Operações Financeira (IOF) que incide sobre o crédito, para substituir a CPMF. No crédito para pessoas físicas os empréstimos ficaram até 1,88% mais caros. Para as empresas, a elevação foi de 0,38%.

Já no leasing, por ser considerado um serviço, não há a incidência do IOF, mas sim do tributo municipal Impostos sobre Serviços (ISS), cuja alíquota é da ordem de 0,25% sobre a operação. Até por conta disso, as empresas de leasing escolhem como sede cidades como Poá e Barueri, em São Paulo, pois o imposto é menor.

"Houve uma grande migração a partir de janeiro, já que o leasing não está sujeito a essa tributação." De fato, o crescimento mais forte ficou concentrado no início do ano. Em 2007, o valor total dos bens imobilizados sofreu variação de apenas 1,7%. Já nos cinco primeiros meses deste ano, o avanço foi para 12,1%.

Outra vantagem da modalidade para as empresas que optam pelo leasing em detrimento das linhas bancárias é o benefício fiscal. Companhias cujos balanços são feitos pelo lucro real podem descontar as parcelas pagas mensalmente (contraprestações) do Imposto de Renda.

As operações de Finame Leasing, do sistema BNDES, também vêm ganhando espaço devido à estrutura mais simples do que um Finame tradicional. Como o risco do empréstimo é assumido pela arrendadora, não pelo cliente, a modalidade permite um maior acesso por parte de empresas de micro e pequeno portes.

Na opinião de Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a maior utilização do Finame Leasing por fabricantes de bens de capital ocorre pelo fato de a modalidade não exigir comprovação do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). "Atualmente, cerca de 70% dos membros da nossa entidade têm problemas com impostos", disse o executivo, ao ressaltar a necessidade de desoneração do setor no país.

Segundo ele, o Finame tradicional tornou-se um mecanismo de financiamento elitista, pois exige das empresas que a situação tributária esteja regularizada. "No leasing temos prazos de até três anos, enquanto no Finame chega a dez anos", acrescentou.

O prazo do Finame foi alongado em junho, conforme a Carta-Circular nº 23/2008 do BNDES, passando de cinco para dez anos. Já no caso do Finame Leasing, houve a redução de 2% ao ano para 1,8% na remuneração do BNDES. A taxa de intermediação financeira também foi reduzida, de 0,8% ao ano para 0,5% ao ano.

Apesar de toda essa evolução, o arrendamento de máquinas e equipamentos ainda cresce menos do que para veículos. O saldo das operações para pessoas jurídicas avançou 29% no ano, segundo dados do Banco Central. Somados, leasing e CDC já respondem por quase 70% das vendas de automóveis no país.



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